Crítica | O Predador: Insistência no fracasso

Image from the movie "O Predador"

Após cinco filmes em que somente o primeiro de 1987 caiu no gosto do público, a Fox insiste e fracassa novamente na tentativa de trazer o icônico alienígena de volta.

Em “O Predador” um menino ativa o retorno dos predadores, agora mais fortes e inteligentes do que nunca, para a Terra. Ex-soldados e uma professora de ciências juntam-se para lutar contra essa ameaça e proteger o futuro da raça humana. Dirigido por Shane Black (Dois Caras Legais e Homem de Ferro 3) o filme conta com bons nomes no elenco: Boyd Holbrook (Logan e Narcos), Trevante Rhodes (Moonlight e 12 heróis) Jacob Tremblay (O quarto de Jack e Extraordinário) e Olivia Munn (X-Men: Apocalipse e Oito Mulheres e um Segredo) são alguns.

O destaque das atuações vai para o menino Jacob interpretando o filho de Quinn McKenna(Boyd Holbrook) que possui grau elevado de autismo, inteligência e capacidade de aprendizado fora do comum. O garoto que vem fazendo sucesso no cinema após o Quarto de Jack e Extraordinário, passa muito bem os dramas vividos por Rory, procurando lidar com as dificuldades causadas pelo autismo e um pai ausente, sem deixar de ser carismático.
Por outro lado Boyd não agrada como Quinn, talvez por erro do roteiro, seu personagem é exagerado e caricato. Sempre passando o ar de “machão” ranzinza que fala grosso o tempo todo lembrando personagens clássicos do faroeste. Olivia Munn segue no mesmo barco, interpretando de forma dramática em momentos desnecessários e não convencendo como mulher “bad-ass” que se torna ao longo do filme de maneira completamente inexplicável.
O roteiro fraco prejudicou a atuação, não dando tanta profundidade aos personagens e recorrendo ao passado para explicar a personalidade de cada um, Nebraska(Trevante Rhodes) foi o melhor explorado quanto as consequências que o seus atos passados trouxeram.

(Imagem: Divulgação/Fox)

Um filme do Predador não necessita de um enredo tão elaborado, mas temos desde ideias idiotas(Como mandar uma arma alienígena pelos correios) a soluções completamente preguiçosas. Involuntariamente um grupo de ex-combatentes presos por problemas psiquiátricos se une a Quinn contra o Predador, a química do grupo é boa e juntos rendem boas piadas, porém, algumas acabam sendo forçadas e podem incomodar algumas pessoas, ficou clara a tentativa de trazer o clima do filme original de volta, mas erraram a mão e não levaram em conta que não estamos mais nos anos 80.
Do momento que o grupo é introduzido, a galhofa toma conta do longa. É um festival de piadas e violência, o enredo fica completamente perdido, recorrendo a achismos e confundindo quem está assistindo. As cenas de violência são bem fortes e o sangue é abundante.

(Imagem: Divulgação/Fox)

Apesar de boas cenas de ação o filme termina indo para o lado cômico, uma vez que o show de piadas infames começa, é difícil levar os personagens a sério e a cena interessante no final acaba perdendo o peso, pois naquele momento o que mais importava era sair da sala de cinema.

O grande erro da Fox nos seus últimos longas com o Predador foi tentar trazer algo diferente e fugir da característica apresentada no longa original de 87, em “O Predador” eles tentam trazer o clima oitentista com suas piadas e desprendimentos ao mesmo tempo que trazem elementos novos com o intuito de dar um novo rumo a saga, mas acabam falhando, pois na tentativa de resgatar as raízes tiram a seriedade do longa, desconstruindo toda a história já conhecida fazendo com que se torne mais uma saga de ação sem graça.

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