Crítica | Jogador N°1 – Muito mais que referências, uma aventura inesquecível!

Adaptação do livro homônimo de Ernest Cline, Jogador N° 1 chega aos cinemas nesta quinta-feira (29) trazendo uma explosão de referências e uma volta aos anos 80 em grande estilo, mas engana-se quem acha que o longa fica somente nisso.
No ano de 2044, o planeta sofre com a fome, guerras e diversas outras tragédias, fazendo com que as pessoas troquem o mundo real, pela realidade virtual OASIS. Porém, o gênio e criador do jogo James Halliday(Mark Rylance )morre deixando uma infinidade de easter eggs escondidos pelo game e aquele que conseguir desvendar os enigmas obtendo todas as chaves, se tornará não só o proprietário do OASIS mas também herdará toda a Fortuna de Halliday.

Wade Watts(Tye Sheridan) com seu avatar “Parzival” é um rapaz pobre que vive com sua tia em uma especie de favela composta por diversos trailers empilhados. Obcecado por Halliday, sabe tudo sobre o excêntrico criador tornando-se tão fã de cultura pop quanto o próprio. Desde o falecimento todos tentam a qualquer custo superar os desafios deixados pelo milionário, mas nunca ninguém chegou perto, até Wade se tornar o primeiro a pontuar, obtendo a primeira chave.

Dai em diante tudo muda, o agora famoso Parzival(Wade) se junta ao seus amigos, Aech, Art3mis, Sho e Daito atrás das outras chaves, mas acompanhados de perto pela empresa multinacional IOI que liderados por Nolan Sorrento(Ben Mendelsohn) cria toda uma divisão com especialistas e jogadores treinados somente para descobrir os easter eggs, vencer o desafio e assim tomarem posse do OASIS e da fortuna.

Steven Spielberg  nos entrega uma aventura fantástica, com efeitos incríveis, personagens cativantes, ótimo roteiro co-escrito por Ernest Cline e suas milhões de referências nos deixando deslumbrados e nos levando a várias dimensões. Um verdadeiro OASIS de todos os jogos em que crescemos jogando. Cada cena, seja uma tomada longa ou um rápido frame, nos faz voltar no tempo e ficarmos como crianças, buscando pelos personagem que conhecemos, tentando “pescar” cada referência apresentada, sem contar uma trilha sonora que funciona encaixando perfeitamente com cada momento e um visual espetacular(indico muito que não deixe de ver no cinema e na maior qualidade possível). Temos toda uma sequência de tirar o fôlego que se passa dentro de um clássico do cinema, sensacional!

Na medida que o longa se desenvolve, percebemos que além de toda a nostalgia que nos cerca, temos diversos temas sendo discutidos. Um mundo em que as pessoas abdicam quase que completamente de suas vidas reais, para viverem em uma realidade virtual. O vicio não é por álcool ou drogas, mas por upgrades (melhorando seu personagem no jogo) a ganância, neste caso partindo de Sorrento e a IOI, que visam tomar o OASIS puramente por dinheiro, sem se importar com as pessoas ou diversão. Uma clara crítica as corporações que pouco se importam com a experiência do usuário e só visam o lucro.

Jogador N° 1 é uma obra prima e proporciona uma experiência única e empolgante. Gera um misto de emoções fazendo com que o público se divirta, torça, sofra, se emocione e reflita. Steven Spielberg nos mostra mais uma vez porque ele é um dos maiores diretores da história, nos entregando mais um trabalho exemplar.

Por Dyego Marcos e Lily Bloom

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