Crítica | Doutor Estranho

Image from the movie "Doutor Estranho"

NA TRAVE
Após o lançamento de Batman vs Superman e Capitão América: Guerra Civil, a maior expectativa do ano para os filmes com temática de super-heróis caiu sobre o filme Doutor Estranho. A expectativa era apresentar um filme cinco estrelas, perfeito visualmente, revolucionário nos efeitos visuais e acima de tudo, provar que é possível introduzir novos personagens e inovar dentro dos filmes Marvel. O filme quase conseguiu tudo isso. Quase.
O filme, visualmente falando, é realmente impressionante. A mistura com certos elementos orientais traz o ar místico necessário ao personagem. Os efeitos especiais são um show à parte e realmente trazem inovação aos filmes de ação, apesar de serem desaconselháveis para quem sofre de vertigens – quem avisa amigo é.
Quanto ao personagem…o herói foi perfeitamente apresentado ao universo Marvel, e isso é louvável para um personagem da linha “menos pop”. As pessoas que não passaram horas mergulhados em quadrinhos agora já conhecem um dos personagens mais poderosos da Marvel.
Mas, em um filme desse porte, qualquer deslize pode desandar a receita. Além da inexplicável obsessão em ser chamado de “Doutor Estranho” (em algumas cenas fica a impressão de que ele irá agredir quem desobedecer essa regra), há um número excessivo de piadas banais ao longo do filme. Benedict Cumberbatch poderia perfeitamente interpretar o herói sem fazer uso de tantas ironias, ainda mais diante da destruição do mundo.

Essa linha de interpretação engraçadinha, que assola todos os filmes da Marvel, é cabível em alguns momentos, mas cansa. O efeito é sempre o mesmo: quando finalmente estamos imersos no universo perigoso que o filme propõe, preocupados com o que poderá acontecer em sequência, surge uma piadinha de fim de festa e pronto. Todo mundo relaxa e vem aquele clima de Sessão da Tarde.
Cabe aqui um elogio ao elenco, em especial ao ator MadsMikelsen (Kaecilius), que mesmo com pouco tempo na película, deixa seu recado. Depois de alguns vilões sem muito impacto em seus filmes (à exceção de Loki), a Marvel apresenta um vilão objetivo, que não é adepto nem de planos mirabolantes, nem de muita conversa. Por outro lado, o personagem Mordo (interpretado por ChiwetelEjiofor)apresenta uma reviravolta estranha e apressada, que poderia ser melhor aproveitada.
O filme agrada, diverte e cumpre seu papel dentro da trama da Marvel. Mas, com exceção de alguns pontos, acaba se tornando mais do mesmo e dispensável dentro do mar de filmes com a mesma temática que surgiram nos últimos anos.

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